VOCÊ JÁ IMAGINOU UM MUNDO…

 … aonde só houvesse o básico, onde não soubéssemos o que é música, moda, doces, arte, dança, filmes, alegria, gatos, amor?

Como seria esse mundo?

 Muita gente vive para o básico. E vive bem assim. Será?

Eugenio Mussak no trecho a seguir, exprime muito melhor do que eu, como seria a vida sem esse algo a mais:

“… Marquei esta frase para sempre. “A vida seria muito chata sem sobremesa”. Verdade. Imagine fazer só o básico, sem os pequenos supérfluos tão importantes para nossa alegria.

Para que, afinal, serve a flor no vaso da sala? Para que os quadros na parede? Qual a utilidade da decoração da mesa no jantar de Natal, a almofada no sofá, o candelabro com a vela aromática, a gravata alegre completando o terno azul? Para que o colar no colo da mulher amada? Para que música, poesia, moda, arte, arquitetura, paisagismo?

São todos “sobremesas”. Sem essas coisas todas poderíamos continuar levantando para trabalhar, comendo na hora das refeições, abrigando-nos da chuva, descansando o corpo em uma cama. Poderíamos viver sem esses adendos da vida. Mas que seria chato, seria, não é mesmo? Acho que não estaríamos vivendo de verdade, apenas sobrevivendo. Imagine uma vida totalmente básica, em que apenas as necessidades essenciais são atendidas, sem espaço para o “algo mais”.

Alguém disse, por exemplo, que o futebol não é importante, mas que, entre as coisas não importantes, é a mais importante de todas. Pensando bem, a vida de um torcedor não vai mudar porque seu time perdeu, mas ele gostaria muito de tê-lo visto campeão. A segunda-feira fica bem mais divertida.

Precisamos, sim, dessas coisas não importantes que, ao final, compõem a sinfonia de nosso cotidiano, que não pode ser composta apenas de movimentos básicos. Também precisa dos dançantes, dos minuetos e dos scherzos, para dar alegria e leveza antes de chegar ao movimento final, conclusivo, épico. Nem nossos ouvidos dispensam a sobremesa.

… nos deixa refletindo sobre o papel fundamental de tudo o que enfeita nossa vida. O básico é essencial. O resto é básico. A vida, sem sobremesas, definitivamente, seria muito chata. Só convém não exagerar…”

Trecho de”As sobremesas” muito bem escrito por Eugenio Mussak

As sobremesas -Revista Vida Simples nº 154 – 01/01/2015 – Editora Abril

super janela

E se no nosso mundo, não pudéssemos sentir dor, tristeza, solidão ou medo?

Talvez a maioria de nós ache que isso seria maravilhoso, um sonho.

Mas, pense comigo, a gente só valoriza realmente um copo de água, quando a garganta já está arranhando, queimando mesmo de tanta sede! Ou seja, nós humanos, precisamos da sede para valorizar um simples copo de água, a fome para dar valor aos alimentos, perder alguma coisa para perceber sua real importância. Da dor para entender como é estar bem, saudável ou confortável.

Conheço uma menina que não sente dor. Ela é portadora da Síndrome de Riley-Day, ou Síndrome de Proteus. Os sintomas incluem: insensibilidade à dor, incapacidade de produzir lágrimas, fraco crescimento, entre outros. Como quem possui a doença não sente dor, ela fica muito mais sujeita a sofrer acidentes porque o organismo dela não registra qualquer aviso de dano nos tecidos do corpo, como cortes ou queimaduras, e sem o aviso de perigo que a dor proporciona a maioria dos doentes com essa doença, morrem jovens por causa de ferimentos. Essa garota, por exemplo, não tem as pontas dos dedos das mãos, porque já comeu todos eles, por não sentir nenhuma dor.

Para pensar mais um pouquinho sobre isso:

 O Doador de Memórias – O filme conta a história de um mundo perfeito, no qual todos

O doador de memórias Imagem:reprodução

são felizes. Quando Jonas é escolhido para ser o Receptor de Memórias da comunidade, começa a treinar com um homem mais velho, chamado de O Doador. O jovem aprende o que é dor, tristeza, guerra e todas as verdades do mundo “real”, e logo percebe que vive num mundo “falso”. Agora, sabendo da realidade, Jonas enfretará escolhas difíceis sobre sua própria vida e seu futuro.

 

E você? O que pensa sobre tudo isso?

 

5 comentários sobre “VOCÊ JÁ IMAGINOU UM MUNDO…

  1. vitorcris disse:
    Avatar de vitorcris

    Sabe, eu concordo com tudo isso, mas acredito também que não somos iguais e há os que aprenderam ou gostam do básico e são felizes, se não fossem já teriam se suicidado. Nos meus poucos anos de vida (50) tenho reparado nisso, as pessoas (não todas claro) mas as que mais se preocupam, as que mais procuram por isso por aquilo vivem insatisfeitas, numa busca incansável, seja por dinheiro, por diversão, por amor, por alegria, e a alegria por mais estranho que pareça está bem dentro de nós e não fora. Eu conheço pessoas que se divertem bastante com bem pouco e não estão nem ai pra futebol, arte, musica, é algo mais voltado ao espirito, a alma e logicamente eles tem seus momentos de tristeza e dor porque não existe alegria permanente , pra os que vivem só de festas também. Alguns usufruem bem das duas coisas e são realizados também alimentando alma e carne. Somos carne, mas somos alma e há em nós uma alma que clama , não pelo que perece, mas pelo que permanece e muitos que vivem apenas para deleite da carne sentem vez ou outra essa tristeza , esse vazio e nem sequer sabe o que é, porque ensurdeceu. Tudo sem exageros é bom, sem fanatismo.
    Desculpe , é minha opinião, porque realmente conheço pessoas que se sentem bem ,porque descobriram a paz interior e ela não está nas coisas que perecem. Eu costumo dizer que essas pessoas não impõem suas opiniões, não agridem, não obrigam os outros a terem as mesmas opiniões que elas porque elas sabem que é algo de dentro, é um autoconhecimento que não se pode forçar a ninguém. É tipo crer em Deus, não se força ninguém a crer a em Deus, apenas crê e pronto, ou não. Essas pessoas não são frustradas, por não terem muito dinheiro, por não irem a festas, sim, podem usufruir da coisas carnais e o amor é a única coisa que está fora de cogitação não sentir, não se pode ser feliz sozinho, sem um amor, sem amigos, fomos criados pra interagir pra amar, sexo também é bom, divertido e saudável, então, se você tem a quem amar e quem lhe ama, tem um emprego bom, tem filhos ou não(alguns não querem) mas outros se sentem realizados, tem o que comer o que vestir, nunca passou fome, e se sente bem assim, então é feliz…Agora, se não se satisfaz só com isso , o melhor é correr atras mesmo ,lutar pra adquirir e não ficar choramingando .
    Vixe, que texto enorme, perdoe-me eu sempre exagero ao escrever. Poderia ter escrito isso na minha página e apenas ter curtido, mas ai alguns iriam dizer que curti e fui falar o contrário. É que eu sou uma das raras pessoas que compreendem todos e aceita todos como são, curtindo ou não, felizes ou não, com suas crenças ou não. kkk

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  2. vitorcris disse:
    Avatar de vitorcris

    Esqueci de dizer que o mundo é pra todos, arte, musica, futebol, e tudo que diverte é bom, é saudável sim e devem existir,.As pessoas precisam viver, precisam usufruir do seu talento. Mas, como o mundo é pra todos, alguns aceitam o básico e penso que a sobremesa pra eles é apenas o amor que eles dedicam sem querer recompensa . São raros eles, mas existem!

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    • Nine disse:
      Avatar de Nine

      Como fiquei feliz com esse comentário, porque era essa discussão que eu estava esperando, em meus sonhos, na verdade, é ela que eu sempre espero!
      Acho que penso como você, a sobremesa quem escolhe é cada um, alguns gostam de pudim, embora outros achem muito doce, não é? Estava na dúvida se publicaria este post ou o sobre minimalismo primeiro, acho que fiz a escolha certa. Viva os questionamentos! Obrigada pela sua opinião e sinta-se à vontade em seus comentários sempre. Um abraço!

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  3. vitorcris disse:
    Avatar de vitorcris

    Por falar em pudim, eu amo pudim, mesmo sendo muito doce, cocada também e troco o almoço por elas pra não engordar muito rs. Ainda estamos na carne e como disse Paulo(se não me engano) Elias era um homem como nós, sujeito a várias paixões , mas orou e o sol se deteve… Naquela época não sabiam que a terra girava mas Deus não iria dar de mão beijada algumas coisas né ? rs

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    • Nine disse:
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      A carne, as paixões, as cocadinhas… Ainda bem que somos todos diferentes, com opiniões, olhares e caminhos diferentes! E como é bom saber que um dia veremos cara a cara o que hoje vemos em parte, como espelho, e então, as paixões, a carne e pudins não terão tanta importância. Um grande abraço!

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